Embaixador Queniano Diz que Novas Metas da ONU Devem Ajudar Crianças Antes do Nascimento

By Stefano Gennarini, J.D. | 2015

NOVA IORQUE, EUA, 27 de fevereiro (C-Fam) O embaixador queniano creditado como um dos arquitetos das novas metas de desenvolvimento da ONU disse que as novas metas não podem ser bem-sucedidas sem lidar com as fases mais iniciais da vida — inclusive antes do nascimento.

“Se não conseguirmos a posição da frente do direito de desenvolvimento, não conseguiremos também a posição de trás” de acordo com o embaixador Macharia Kamau do Quênia. Isso envolve programas e políticas para ajudar “crianças antes de seu nascimento, crianças no nascimento, nos primeiros cinco anos de vida, os jovens,” disse ele.

O embaixador queniano fez os comentários surpreendentes na semana passada durante a rodada mais recente de negociações para a nova agenda de desenvolvimento da ONU que Kamau está liderando junto com o embaixador da Irlanda. Ele estava respondendo a Helen Hamlin, uma defensora amável e popular dos direitos das pessoas mais velhas, ela própria com 90 anos, que tem sido ativa na ONU por duas décadas.

Hamlin disse que a nova agenda de desenvolvimento da ONU deve colocar as pessoas no centro das políticas de desenvolvimento “desde o nascimento, infância e juventude até a vida adulta e velhice,” quase chegando a mencionar crianças antes de nascerem. Kamau corrigiu essa omissão, mencionando a necessidade de olhar para o ciclo inteiro da vida a fim de fazer o desenvolvimento funcionar.

Ele explicou, “os efeitos indesejados de dificuldades emocionais e mentais, de doenças, de morte precoce, claramente afetarão as expectações de vida das pessoas. Por isso, de algum modo temos de corrigir esse ciclo.” Os nove meses dentro do útero são uma época amplamente reconhecida como fundamental para a saúde da mãe e da criança.

De modo particular, a subnutrição durante a gravidez e infância é uma das causas principais de morte e pode afetar permanentemente o desenvolvimento físico e mental das crianças, dificultando que saiam da pobreza.

Kamau alertou que uma abordagem que leve em consideração o ciclo inteiro de vida, sem compartimentar o desenvolvimento, permanece um desafio.

“A abordagem de ciclo de vida e curso de vida ao desenvolvimento é algo que ouvimos por aí há muito tempo. E é verdade o que você diz, mas de algum modo, não chegamos a imaginar como fazê-lo, em muitos de nossos programas, quer sejam programas internacionais, multilaterais ou programas de países individuais.”

Kamau se descreveu como “agnóstico” no que se refere a políticas envolvendo saúde sexual e reprodutiva, ou direitos reprodutivos, no ano passado quando a Assembleia Geral concordou em 17 metas e 169 alvos que guiarão as campanhas de desenvolvimento global nos próximos 15 anos.

O reconhecimento explícito da necessidade de ajudar crianças antes de seu nascimento mina o argumento dos defensores do aborto de que antes do nascimento as crianças não são seres humanos que merecem proteção.

Os defensores do aborto puderam incluir duas menções de “saúde sexual e reprodutiva” na nova agenda de desenvolvimento, e uma menção de “direitos reprodutivos” apesar de preocupações de que eles desviam recursos da infraestrutura de saúde, especialmente para a saúde materno-infantil, e dirigem financiamento para políticas e grupos de redução da fertilidade que em vez disso promovem o aborto.

Um dos desafios principais do novo plano de desenvolvimento será melhorar a saúde materno-infantil, uma das áreas em que os esforços globais não têm chegado. A saúde materna é mencionada apenas uma vez nas novas metas de desenvolvimento sustentável, ainda que fosse um foco importante das Metas de Desenvolvimento do Milênio que está substituindo.

Tradução: Julio Severo