Fundação Gates Suspeita de Forçar Contraceptivo Perigoso em Africanos

By Lisa Correnti

NOVA IORQUE, EUA, 20 de novembro (C-Fam) Os ativistas de HIV/AIDS e da saúde das mulheres estão criticando um relatório recente divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre a segurança de um contraceptivo polêmico favorecido pela Fundação Gates. O Depo-Provera é um contraceptivo de longa duração distribuído para mulheres pobres nos EUA e por meio de programas de assistência estrangeira.

“O controle populacional, infelizmente, voltou à moda,” escreve Betsy Hartmann, uma ativista de longa data dos direitos reprodutivos que reagiu à reversão da OMS quanto à sua política sobre o Depo-Provera, também conhecido como DMPA.

As normas revisadas da OMS divulgadas em 21 de outubro agora espelham as normas publicadas da empresa farmacêutica Pfizer, que fabrica o Depo-Provera. Essa normas declaram que “não existe evidência de uma ligação causal entre o uso de DMPA e um aumento no risco das mulheres para adquirir o HIV.” Essa reversão, diz Hartmann, apesar de 25 anos de estudos científicos citando um risco maior de transmissão do HIV entre mulheres que o usam, levanta questões sobre se a OMS abandonou suas precauções devido a “incentivo externo” de grupos de interesses especiais.

Uns 40 grupos e ativistas de saúde sexual e reprodutiva pediram à Dra. Margaret Chan, diretora-geral da OMS, que excluísse as novas normas e as removesse do site da OMS até que passe por “um processo rigoroso de consulta” numa reunião importante agendada em dezembro.

As críticas chegam num momento em que a OMS enfrenta acusações de ser indevidamente influenciada por seus maiores contribuintes. Uns 70% das doações para a OMS são restringidas para programas específicos. “As prioridades da OMS têm sido ‘distorcidas’ e ‘pervertidas’ por essas contribuições voluntárias,” disse a Dra. Linsey McGoey, que estuda a filantropia mundial.

A Fundação Bill e Melinda Gates estabeleceu um fundo de doações de 40 bilhões de dólares para a OMS. Os 3 bilhões desembolsados anualmente para a OMS perfazem 10% de seu orçamento anual. Atualmente não há nenhuma decisão de grande política de nível elevado implementada pela OMS sem ser “examinada, de forma casual e não oficial, pela Fundação Gates,” disse a Dra. McGoey num recente evento em Washington, DC sobre a divulgação de seu livro “No Such Thing as a Free Gift: The Gates Foundation and the Price of Philanthropy” (Não Existe Tal Coisa Como Presente Grátis: A Fundação Gates e o Preço da Filantropia).

Como a Fundação Gates, os governos dos EUA e Inglaterra são também grandes contribuintes para a OMS e para FP2020, uma iniciativa encabeçada por Melinda Gates. A meta das iniciativas é trazer planejamento familiar, principalmente na forma de contraceptivos de longa duração, para um número adicional de 120 milhões de mulheres e meninas na África subsaariana até o ano 2020.

Financiamento para contraceptivos de longa duração, inclusive o Depo-Provera, subiu estratosfericamente desde que Melinda Gates se tornou a mais recente chegada numa lista longa de filantropos que apoiam programas de controle populacional. A parceria foi formada em 2012 depois que a Cúpula de Planejamento Familiar de Londres reuniu governos, agências da ONU e organizações de planejamento familiar, a maioria dos quais promove o aborto. A empresa farmacêutica Pfizer anunciou que dobraria a produção de Depo-Provera. Relatórios estimam 36 bilhões de dólares em vendas pela droga.

Antes do lançamento da FP2020, a OMS publicou um guia técnico sobre contracepção hormonal fortemente exortando as mulheres que usam injetáveis só de progestogena como o Depo-Provera em comunidades de HIV elevado a usarem camisinha. Com 60% das mulheres na África subsaariana usando contraceptivos injetáveis, e só metade das mulheres na região são alfabetizadas, foi relatado que a OMS trabalharia numa estratégia de comunicação para alcançar as usuárias.

A reversão da política da OMS indicaria que os esforços para prevenir as mulheres acerca dos riscos do Depo-Provera foram abandonados.

Tradução: Julio Severo