O Mundo Está Pronto para o Envelhecimento?

By Stefano Gennarini, J.D. | January 30, 2015
Aging population

NOVA IORQUE, EUA, 30 de janeiro (C-Fam) Especialistas da ONU que promovem baixa fertilidade ficaram espantados quando indagados sobre o que se aproxima para países que envelhecerão antes de terem uma chance de enriquecerem.

Num painel da ONU na semana passada um especialista da Universidade de Harvard disse: “Existem benefícios econômicos e de saúde com o declínio da fertilidade.” Durante uma apresentação para delegados da ONU numa reunião de especialistas sobre dinâmica populacional e desenvolvimento sustentável outro defensor do controle populacional disse: “Mais recursos são necessários para controlar a fertilidade” de meninas a partir de 11 anos de idade.

Essa teoria — conhecida como “dividendo demográfico” — está sendo testada implacavelmente enquanto mais e mais países experimentam baixa fertilidade sem nenhum ganho econômico acompanhante.

Representantes de países na reunião pareciam mais preocupados com sua fertilidade já baixa do que com a necessidade de reduzi-la ainda mais.

Como é que as pessoas podem “abandonar a ideia de que precisam de famílias ampliadas quando envelhecerem,” perguntou um delegado de El Salvador. “Elevada dependência da família permanece uma realidade porque não existe nenhuma rede de segurança,” explicou ele. “É isso o que está na mente das pessoas. Elas vão acabar sem ninguém para cuidar delas.”

O delegado deu sua própria resposta: “Minha avó foi uma de sete, meu pai foi um de quatro, eu sou filho único… Meu pai e seus três irmãos podem cuidar de minha avó muito melhor do que eu poderei cuidar de meus pais sozinho.”

As respostas dos especialistas não foram reconfortantes.

Jocelyn Finlay, especialista de Harvard, disse que ela não estava ciente de nenhum trabalho para mudar os gastos de saúde sexual e reprodutiva para investir em proteções sociais para os idosos. Os membros do painel ficaram de boca aberta, e só puderam apontar algumas das falhas em sua teoria.

“O dividendo demográfico não é automático,” disse John Wilmoth, o líder dos demógrafos na ONU.

“Nem todo país que experimentou fertilidade reduzida aproveitou benefícios,” acrescentou Finlay. Ela avisou os países que o dividendo demográfico pode se tornar um déficit: “Aja rápido! Essa janela abre e então fecha.”

Finlay frisou o lado escuro da teoria do dividendo demográfico: populações rapidamente envelhecendo. Pessoas nas áreas rurais da Coreia do Sul e China estão “sendo simplesmente abandonadas,” ela disse, não existe “nenhum apoio social para elas.” Antes, Finlay havia apontado para a Coreia do Sul como o garoto-propaganda da teoria do dividendo demográfico. Mas o envelhecimento exige enormes mudanças institucionais e comprovou ser “um pedido grande demais para obter uma resposta,” explicou ela.

Problemas de envelhecimento podem ser mais graves em países pobres da África que atualmente são o alvo de campanhas de redução de fertilidade da ONU.

Na África, a única proteção social é a família. Mas Parfait M. Eloundou-Enyegue da Universidade Cornell disse: “A família é uma rede de segurança só até onde o contrato social é mantido.” Ele disse que até mesmo na África a família está sob pressão da urbanização e resultantes custos elevados de vida.

A Divisão de População da ONU organizou o painel antes da Comissão sobre População e Desenvolvimento em abril.

Tradução: Julio Severo