Países Evitam Polêmica, Rejeitam Aborto em Conferência das Mulheres
NOVA IORQUE, EUA, 13 de março (C-Fam) Neste ano — o aniversário de 20 anos da Conferência das Mulheres de Beijing — milhares de delegados e representantes da sociedade civil se reúnem em Nova Iorque para avaliar 20 anos de progresso sobre as questões das mulheres.
Em vez de negociar até tarde nas noites como se faz a cada ano na Comissão da ONU sobre a Condição das Mulheres, os países adotaram uma declaração política no primeiro dia da conferência de duas semanas. A declaração não faz nenhuma menção de saúde ou direitos sexuais e reprodutivos, termos ligados ao aborto e questões sexuais.
Grupos feministas estavam furiosos que a declaração — que eles chamaram de “suave” — foi finalizada antes de eles chegarem a Nova Iorque. Eles a chamaram de “fracasso político” por não reconhecer organizações feministas, entre outras queixas.
Sindicatos trabalhistas reivindicaram que os governos consultassem a eles e grupos feministas em reuniões futuras, e garantissem outros privilégios, tais como, as novas metas de desenvolvimento da ONU devem exigir que os professores “recebam treinamento profissional” — uma medida que discriminaria contra mães que educam em casa, trabalhadores humanitários ou mulheres qualificadas sem um diploma na área de ensino.
Em sua declaração de abertura, nações africanas frisaram que “rejeitam que o aborto seja promovido como um método de planejamento familiar” enquanto deram as boas-vindas à “compreensão consensual entre parceiros” sobre o número e espaçamento de filhos.
No entanto, elas também estão “preocupadas com a propagação e uso de contraceptivos prejudiciais para mulheres africanas” e querem métodos “que não sejam nocivos para a saúde das mulheres.”
Algumas líderes de grupos feministas foram escolhidas para falar em nome da sociedade civil na cerimônia de abertura.
“Hoje, celebro as mulheres — as mulheres lésbicas, negras, indígenas, urbanas e rurais que vivem em condições de pobreza, trabalhadoras, deficientes, trans e intersexuais, líderes de diferentes gerações… que estão transformando nosso mundo,” disse Lydia Alpizar da Associação dos Direitos das Mulheres em Desenvolvimento (ADMD).
Ela disse na sala de delegados que o desapontador progresso delas sobre as prioridades das feministas pode ser registrado até a “falta esmagadora de compromisso político e recursos financeiros, puro sexismo e misoginia do passado, junto com crescente fundamentalismo religioso.”
Alpizar repreendeu os diplomatas por “em grande parte excluírem” grupos das negociações da declaração política e afirmou: “Direitos sexuais e direitos e saúde reprodutivos não deveriam ser usados como escambo entre governos em negociações.”
Fora da ONU, muitos seminários para os mais de 8000 participantes estão criticando a prostituição, uma questão que divide as ativistas feministas. Eles estão atraindo multidões de mulheres ativistas de base e parlamentares. A prostituição destrói a autoestima da pessoa e gera violência, argumentam elas.
Mulheres prostituídas são rotineiramente surradas, enviadas para o hospital para tratar fraturas, e estupradas com objetos, mas não acham que isso é violência “pois os homens pagaram por isso,” disse Ruchira Gupta da entidade Apne Aap Women Worldwide.
Quando a Fundação Gates alocou 500 milhões de dólares para a distribuição de camisinhas na Índia, cafetões e gerentes de bordeis foram contratados como “educadores de amigos,” disse Gupta. PSI, o parceiro deles, criou uma noção de “demanda ética” para comprar sexo. Eles lançaram anúncios declarando “Não importa qual parceiro sexual você escolha, escolha a camisinha certa.”
“A campanha foi planejada para proteger os homens de compradores de doenças,” não para ajudar mulheres, disse Gupta.
Quando uma mulher ou menina “não pode dizer não ao sexo indesejado, como é que ela conseguirá dizer não ao sexo sem proteção?”
Em 2012, a UNAIDS e o Fundo de População da ONU publicaram um relatório pedindo a descriminalização do “trabalho sexual.” A ONU Mulheres disse que “apoia a descriminalização do trabalho sexual.”
Tradução: Julio Severo
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