Pesquisadores da OMS Pedem Aborto Mais Barato Acima da Segurança

By Rebecca Oas, Ph.D. | 2015

NOVA IORQUE, EUA, 27 de fevereiro (C-Fam) Como parte de uma campanha em andamento para maximizar a disponibilidade internacional do aborto, pesquisadores que colaboram com a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgaram um estudo que argumenta que acompanhamento clínico após um aborto químico é desnecessário, e que dispensá-lo poderia “economizar recursos.”

“Esse estudo foi feito de acordo com o manual de aborto seguro da OMS, o qual recomenda que o aborto deva ser simplificado para melhorar o acesso,” escrevem os autores do artigo, publicado na semana passada na revista The Lancet.

O C-FAM lançou um informe oficial à imprensa criticando o manual técnico da OMS, o qual afirma que o aborto é mais seguro do que o parto e um direito humano, nenhum dos quais goza de um acordo internacional, e argumenta em favor de práticas de aborto abaixo das normas que colocam a saúde das mulheres em risco.

O estudo do Lancet localizou dois grupos de mulheres do Norte da Europa que passaram por um aborto químico de primeiro trimestre: um grupo retornou à clínica para uma consulta de acompanhamento e o outro grupo realizou uma “auto-avaliação” usando um teste caseiro de gravidez para apurar se o aborto tinha sido bem-sucedido. Os autores concluíram que o teste caseiro foi “não inferior” ao teste clínico, embora os testes caseiros não conseguissem identificar três gravidezes que continuaram e que mais tarde terminaram em abortos de segundo trimestre.

As participantes do estudo viviam na Áustria, Finlândia, Noruega e Suécia, que são países ricos com assistência médica facilmente acessível e de alta qualidade. Participantes potenciais foram excluídas se mostravam sinais de gravidez ectópica ou outras anormalidades de gravidez, se tinham menos de 18 anos, ou se tinham uma potencial barreira de linguagem.

Os autores consideraram os testes caseiros de acompanhamento especialmente úteis para “ambientes com recursos precários… onde acesso a serviços de aborto e exame de ultrassom podiam ser limitados.” Eles não ofereceram ajuda para compreender como as mulheres em risco mais elevado de complicações — tais como as que foram excluídas do estudo — deveriam lidar em ambientes com recursos precários, particularmente se elas foram desestimuladas de fazer uma consulta de acompanhamento numa clínica ou se os serviços médicos de emergência não eram prontamente disponíveis se surgissem problemas.

À medida que uma percentagem maior de abortos são realizados por pílulas em vez de cirurgia, organizações pró-aborto estão cada vez mais exortando para que o aborto seja “desmedicalizado,” mudando-o dos médicos para prestadores de serviço médico de nível mais baixo e até mesmo para as próprias pacientes, como um modo de contornar barreiras legais e institucionais, inclusive as sancionadas para proteger a saúde das mulheres.

Os principais autores do estudo têm como sua base o Instituto Karolinska da Suécia e trabalham em íntima colaboração com a OMS em questões de pesquisa de medicina reprodutiva. Nessa competência, eles conjuntamente criam os padrões globais amplamente aceitos de práticas de saúde e realizam estudos para justificá-los.

A organização de pesquisa inclui a Dra. Rebecca Gomperts, fundadora da organização holandesa Mulheres nas Ondas, que distribui pílulas e instruções abortivas em países em que o aborto é ilegal. Eles incluem orientações para buscar assistência médica de emergência quando ocorrem complicações, e como mentir para os médicos para esconder informações cruciais.

Um comentário de dois obstetras australianos apareceu ao lado do artigo no Lancet. “A simplificação de protocolos médicos iniciais pode aumentar o acesso e aceitabilidade do aborto internacionalmente,” eles escrevem. “Congratulamos os autores por gerar evidência nova de alta qualidade que será de informação para essa questão polêmica, e contribuirá para avançar o aborto seguro internacionalmente.”

Tradução: Julio Severo