Tráfico de Óvulos e Úteros Alugados: a ONU Aprende Como Não Fazer Bebês

By Wendy Wright | 2015

NOVA IORQUE, EUA, 20 de março (C-Fam) Todas as cadeiras no auditório da ONU estavam lotadas, com uma fila de espera do lado de fora, para ouvir sobre fazer bebês.

“Fazer e comprar bebês online e vender óvulos e alugar úteros,” disse Jennifer Lahl. “Nós não mais geramos nossos filhos, nós fazemos nossos filhos, nós construímos nossas famílias.”

Lahl é uma enfermeira pediátrica que se tornou cineasta. Seus documentários exploram o “admirável mundo novo” de produzir bebês de um jeito que desafia a dignidade humana.

Reprodução terceirizada, ou assistida, usa os óvulos, esperma ou útero de outra pessoa para criar uma criança. Embora chamado de doações e atitudes altruístas — um jeito de um casal que não consegue conceber ou gestar um bebê ter uma família —, isso envolve geralmente negociação e dinheiro, criando um incentivo que pode ser coercivo.

A discussão geralmente centra nos que querem um filho. No começo desta semana, quando os estilistas de modas Dolce & Gabbana criticaram “úteros alugados, sementes escolhidas de um catálogo,” o cantor Elton John trovejou “que eles deveriam ter vergonha de apontar seus dedinhos acusadores” nas tecnologias reprodutivas que são usadas “tanto por heterossexuais quanto por gays, para cumprir seu sonho de ter filhos.”

Lahl decidiu olhar para as mulheres cujos corpos são usados para criar e dar à luz uma criança.

Como enfermeira, Lahl viu pacientes apanhados nas consequências de vida real da reprodução assistida. Algumas mulheres experimentaram sérios riscos de saúde. Lahl produziu o documentário “Eggsploitation” (Exploração de Óvulos) para investigar uma indústria que “busca moças férteis, uma indústria que de modo indiferente está colocando a vida delas em perigo por um produto… os óvulos delas.”

“Meu estômago inchou de modo tão horrível que eu nem conseguia respirar,” disse certa mulher num videoclipe exibido à audiência. “Fiz a decisão de vender meus óvulos. Isso afetou minha capacidade de reprodução,” disse outra.

Não se mantêm estatísticas, nem se fazem estudos médicos, sobre as complicações experimentadas por mulheres que vendem seus óvulos.

Outro documentário, “Breeders: A Subclass of Women” (Reprodutoras: Uma Subclasse de Mulheres), entrevista mulheres que serviram de barrigas de aluguel — intencionalmente, e até sem intenção.

As mulheres foram atraídas para o papel de barriga de aluguel como um modo de ajudar um membro da família, amiga ou casal a “construir” uma família. Contudo, essa prática está cheia de problemas inesperados, e pode se tornar trágica quando a gravidez é tratada como um serviço pago e um bebê é um produto.

Alguns casos de barriga de aluguel vão além de coerção para exploração. Uma mulher descreve seus filhos gêmeos sendo tirados dela no hospital e dados ao pai. Até aquele momento, ela havia esperado criar seus filhos num acordo de compartilhamento com o pai, com quem ela teve uma amizade platônica. Ela não estava ciente de que ele a estava usando como “reprodutora” para ele e seu parceiro.

“Como é que promovemos justiça reprodutiva para todos nesses acordos terceirizados?” Lahl perguntou.

Para casais que têm problemas de infertilidade, os métodos naturais podem curar problemas latentes. A Dra. Mary Martin disse à audiência acerca de pacientes que tentam modernos métodos caros antes de recorrer a ela. Em pouco tempo, muitos concebem.

“Para que a ciência nos sirva em vez de nos prejudicar, precisamos sempre ligar o que podemos fazer com o que devemos fazer,” disse o arcebispo Auza, o representante do Vaticano na ONU.

Ele realizou o painel com o C-Fam (que publica o Friday Fax) para destacar maneiras de “conceber crianças que estejam totalmente alinhadas com a dignidade humana das mulheres, homens e crianças. E problemas que ocorrem quando técnicas se tornam populares que não dão o devido respeito à dignidade humana.”

Tradução: Julio Severo