Vítimas Esquecidas da Violência Sexual: Crianças Nascidas da Guerra

By Susan Yoshihara, Ph.D. | 2015

NOVA IORQUE, EUA, 6 de março (C-Fam) Entre as centenas de cristãos e minorias raptados pelos terroristas do Estado Islâmico estão mulheres e meninas forçadas a se casarem e serem escravas sexuais. Enquanto os líderes mundiais se remexem para responder aos ataques do ISIS, outra crise cresce no horizonte — o futuro perigoso dessas mulheres e meninas e os filhos que elas conceberão durante o cativeiro.

Em toda a história, crianças nascidas de guerra são sujeitas a uma existência de rejeição e privação de necessidades básicas como assistência médica e educação devido às circunstâncias trágicas de seu nascimento. As crianças Lebensborn da Noruega, órfãs que foram geradas pelos nazistas durante a ocupação da Alemanha na 2ª Guerra Mundial, e filhos das guerras da ex-Iugoslávia na década de 1990s são exemplos. O Tribunal Europeu de Direitos Humanos no primeiro caso, e agências como o UNICEF no segundo, têm rejeitado reivindicações de indenizações ou atenção especial para esses sobreviventes de violência sexual e o estigma horroroso que sofreram durante as guerras.

Agora, várias organizações sem fins lucrativos estão trabalhando em ambientes afetados por guerras na África para ajudar a geração das crianças nascidas das guerras de hoje. Na próxima quinta-feira um painel de especialistas se reunirá na ONU para conscientizar e discutir modos de ajudar os governos e fazer com que agências internacionais prestem contas para fazer um trabalho melhor de reconhecer e cumprir os direitos humanos básicos dessas crianças.

Eunice Apio vem trabalhando por mais de uma década no Norte de Uganda com mulheres raptadas pelo grupo guerrilheiro Exército de Resistência do Senhor e com seus filhos nascidos em cativeiro. Ela apresentará sua pesquisa comparando quatro casos que incluem Uganda, Serra Leoa, República Democrática do Congo e Sul do Sudão.

Apio diz que muitas autoridades não entendem que as sobreviventes de violência sexual não conseguem se reintegrar se seus filhos não se integram. É preciso fazer mais para mudar as atitudes em sociedades pós-guerras, que os veem como “filho do inimigo.” Muitas vezes, as atitudes nas agências da ONU são guiadas pela agenda de direitos reprodutivos cujos promotores chamam as crianças de “co-agressoras” contra suas mães, ou simplesmente as veem como um efeito colateral do estupro e não dignas de reconhecimento em seu próprio direito.

Contudo, como Jules Shell deixa claro em sua palestra “Smile at the Man who Did this To You” (Sorria para o Homem que Fez Isso com Você), as mães muitas vezes amam seus filhos e querem que eles progridam. Esse é o propósito da Fundação Ruanda, a organização que ela co-fundou em 2008. Umas 20.000 crianças nasceram de estupro durante o genocídio de 1994 em Ruanda. Pelo fato de que as crianças nasceram depois do genocídio, elas não foram aceitas nos programas para sobreviventes e foram deixadas para trás. A organização dela financia educação para mais de 800 delas, mas não existe nenhum plano para ajudar o resto, e o financiamento de seu trabalho é sempre apertado, ela diz.

O ato de Boko Haram sequestrar mulheres e meninas na Nigéria atraiu a atenção do mundo e a mídia social se iluminou com chamadas de #BringBackOurGirls (TragamNossasMeninasDeVolta). Mas o que acontecerá quando elas voltarem? Obianuju Ekeocha apresentará os resultados das entrevistas que ela conduziu sobre como o país planeja responder às crianças nascidas de casamentos forçados e escravidão sexual. Ekeocha explica por que a cultura da África de acolher crianças muitas vezes coloca os governos em conflito com os que promovem o aborto como a melhor solução para as crianças concebidas em violência sexual.

O evento, “Vítimas Esquecidas da Violência Sexual,” ocorrerá na quinta-feira, 12 de março, às 10h30min no Centro Cultural Armênio na 630 2nd Avenue em Nova Iorque.

Tradução: Julio Severo